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Reta final

Meu blog sempre representou minha inquietação e depois de 7 anos de existência continua sendo meu melhor recurso de reconstrução emocional. Acabou virando um conselheiro de tempo integral e uma válvula de escape para tirar excesso de informação e achismos que todo mundo tem e guarda em algum lugar.
Ultimamente tenho procurado entender o motivo de tanta ansiedade e aflição com o futuro da minha carreira. São inúmeras as vezes que me sinto sufocado frente a enorme expectativa que todos possuem a meu respeito. Esse texto é um depoimento e um compilado de "coisa" que acontece e acredito influenciar nosso estado de espírito.

As cobranças diárias para apresentar o curriculum perfeito, o melhor emprego na melhor empresa no melhor setor e o melhor salário...tantas respostas para compôr o fim que justifica o meio. Tantas e quantas humilhações...
A última vez que senti algo parecido foi no vestibular, antes de ingressar no ensino superior...aquela fase que você precisa responder que você vai ter um futuro e que vai ser bem sucedido por ter escolhido um curso concorrido...A verdade é que ninguém pergunta se você precisa daquilo para ser feliz. Nos dias de hoje a felicidade é puro marketing pessoal.
As cicatrizes daquela época continuam evidentes, fazem parte da minha história de vida e a experiência mostra que é inevitável chegar a algumas conclusões óbvias.
Ser feliz com as próprias escolhas não te isenta de cobrança, de perfeccionismo, de obrigações e protocolos sociais rigorosos e que tentam separar as pessoas entre Vencedores, Perdedores e Fracassados.
Pra mim isso tudo faz parte de um venenoso imediatismo cultural. Causa primária das diferentes formas de desigualdade existentes. Jogo de minoria virou da maioria e tudo virou uma questão de um "grupo" contra outro "grupo". Esquecemos que somos da mesma espécie e que viver a própria vida não é um direito mas uma questão de privacidade.
Nossa liberdade é apenas aparente pois somos escravos das boas impressões e das vontades dos mais próximos. A pobreza de espírito é exagerada e se parece com alguém que a gente não gosta e se considera diferente:  gorda demais, alta demais, preta demais, feliz demais, rica demais, gay demais, política de mais, velha demais e clichê demais pra esconder sintomas evidentes de dependência química, física e psicológica. Neste quadro enfermidades somos os doentes incuráveis que buscam pôr alívio imediato em suas dores latentes. Sofrer é penoso, desnecessário, dispensável. 
Consumimos pavorosas toneladas e incontáveis caixas de remédios para não sentir mais aquilo que mais nos identifica como indivíduos! Somos os pacientes mais propensos a apresentar dependência diária de auto-afirmação. Julgamos, condenamos e enquadramos para explicar o porque de nossa indiferença com os melhores amigos e discordâncias em família.
A cada dia somos cada vez menos, nós mesmos.
Não acho que sou o único a compartilhar desta aflição sozinho.
Muito menos penso que meus problemas são maiores que o de outras pessoas.
Estou a falar de minhas reflexões, minhas auto-avaliações, minhas próprias alfinetadas,  meu crescimento enquanto ser humano e protagonista da própria vida! 
Falar em primeira pessoa não deveria ser sinônimo de egoísmo, egocentrismo ou qualquer outra definição superficial, pouco aprofundada e sem qualquer empatia com o próximo.
Hoje consigo interpretar essa cobrança toda como uma forma de motivação pessoal e de amadurecimento para encarar a realidade. Minha vida ganha novo significado e tenho fé que irei colher os melhores frutos que a sinceridade e humildade conseguem plantar.

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